Fábricas terão de colocar dispositivo em carros novos em 2009.
Lei levanta discussão sobre prioridades de equipamentos de segurança.
Um dispositivo de segurança, oferecido de graça por boa parte das seguradoras, será item obrigatório nos veículos zero quilômetro em dois anos. Mas o custo da novidade já começa a gerar discussão.
Existem várias centrais rastreamento de veículos no país, que prestam um serviço sofisticado. Os operadores podem ver na tela a localização de um carro desde que ele esteja equipado com um GPS, que marca a posição do veículo com ajuda de satélites, e com um transmissor de dados que passa essa informação para a central. Hoje no mercado, o equipamento custa de R$ 1 mil a R$ 2 mil.
É um dispositivo como esse que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) está obrigando as fábricas a colocar em todos os carros novos a partir de agosto de 2009.
A conta será paga pelo consumidor - o custo do rastreador será incorporado ao preço do carro zero. E pode ser um dinheiro jogado fora, porque a resolução do Contran não obriga o dono do carro a pôr o dispositivo para funcionar. Muitos não irão fazer isso porque é preciso contratar uma empresa que faz o rastreamento e pagar a mensalidade pelo serviço.
A mensalidade hoje custa entre R$ 50 e R$ 100. Quem não pagar terá uma peça inútil dentro do carro. Para o Contran, o rastreador, quando ativo, é um equipamento antifurto. Um professor de engenharia automotiva discorda. O dispositivo não impede o roubo, apenas localiza o carro depois de ele ter sido levado embora. Por isso acha que é uma lei que pode acabar revogada, como a do kit de primeiros socorros nos carros.
"Do ponto de vista objetivo técnico é uma questão de prioridades de itens de segurança. Há outros itens mais importantes, como airbag e freios ABS antiderrapantes", diz o professor Ronaldo Salvagni.
Especialistas lembram um detalhe importante: o rastreador precisa estar escondido em lugar incerto. O que não poderá ser feito numa linha de montagem.
“Por vir de fábrica isto significa estar padronizado dentro do veiculo, ou seja, a mesma informação que eu tenho o ladrão também tem - a posição em que vai estar instalado esse equipamento dentro do carro”, diz Élcio Fernandes, diretor de empresa de monitoramento.
O presidente do Contran, Alfredo Peres da Silva, diz que está apenas obedecendo a lei. "Existe uma lei complementar 121, de 8 de fevereiro de 2006, que determinou que o Contran regulamentasse o dispositivo antifurto obrigatório em todos os veículos novos saídos de fábricas ou importados. É uma determinação legal."
Mas a lei apenas cita dispositivos antifurto em geral, não exige rastreador. Quem terá de pagar por ele não está gostando.
“Acho que não é justo, é uma imposição, acho que tem que ficar a critério de cada um decidir se quer ou não o equipamento”, diz o advogado Adilson Serra.
“O airbag é muito mais importante no meu modo de ver, porque é segurança pessoal. Isso também não tá vindo em todos os carros. É opcional né?”, afirma o economista Laerte Manduca.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos diz que é contra a obrigatoriedade, mas que vai cumprir a lei, repassando o custo do equipamento para o consumidor.
Fonte: Portal G1
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Rastreador obrigatório causa polêmica
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